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Al Gore mostrando gráfico de CO2
Al Gore apresentando um gráfico prevendo
concentrações de CO2 absurdamente altas
nos próximos 50 anos.
O Sapo Cozido
A analogia do sapo cozido, tal qual o Pedro Rezende
faz em suas palestras.

Uma Verdade Inconveniente Mas Presente

Rec 17-mar-2007 15:38

Agora de manhã eu vi o documentário "Uma Verdade Inconveniente" do Al Gore. Em uma palavra: excelente!

Ele apresenta o assunto com ótima didática e os slides são ótimos -- identifiquei-me fortemente com o estilo de apresentação dele. Quando eu preparo minhas apresentações, tento mesclar conteúdo sério e rigor técnico com algumas piadas bem colocadas; tento fazer slides visualmente atraentes (que dão tanto trabalho para preparar que muitos colegas meus dizem ser perda de tempo) para tentar passar os conceitos usando metáforas visuais.

No filme, as digressões sobre a vida e tragédias pessoais dele me pareceram meio fora do lugar. Mas creio que entendo o objetivo: colocar o Gore como um homem comum e fazer a audiência se identificar com ele; mesmo tendo sido poderoso, é relativamente impotente contra as provações da vida, os desastres naturais e certas forças político-econômicas.

Há duas citações que eu particularmente gostei. A primeira, do Wiston Churchill (a tradução é minha):

A era da procastinação, das meias-medidas,
de expedientes de confusão e panos-quentes,
e de atrasos, está chegando ao fim.

Em seu lugar estramos entrando em um período de conseqüências...

(o original diz "soothing and baffling expedients". Traduzi o "soothing", que quer dizer "tranquilização", por "panos-quentes", porque no meu entender reflete melhor o que o Churchill quis dizer).

A quantos absurdos aqui no Brasil e no mundo a gente pode aplicar essa frase...

A outra citação sensacional foi do Upton Sinclair:

É muito difícil fazer alguém entender certa coisa
quando o seu salário depende de não entender essa coisa.

Essa se aplica a um sem número de pessoas em cargos importantes que, a despeito da inteligência, insistem em fazer o que sabem ser errado porque têm o rabo preso.

Gostei muito também da parte de créditos entremeados com dicas práticas do que fazer para diminuir/reverter o aquecimento global. Entre dicas práticas tais como "troque suas lâmpadas por versões de alta eficiência" (o que boa parte dos brasileiros já fez por ocasião do racionamento de 2001-2002), vejo essa pérola:

Escreva para o Congresso [exigindo medidas contra o aquecimento global]...
...se eles não ouvirem,
concorra ao Congresso

Se alguém tem autoridade pra dizer isso, é alguém que já esteve lá.

Depois do filme, pus-me a pensar nos meus gastos de energia. Checando o histórico das minhas contas de luz, descobri que meu consumo médio foi de 570 kWh/mês: usa-se muito ar condicionado por aqui devido aos verões cada vez mais quentes; e há dois computadores e um bocado de eletrônica ligada o tempo todo, sem mencionar os notebooks e a geladeira. Mas eu raramente uso o ar condicionado do escritório e não temos o hábito de tomar banho quente aqui -- até porque por vezes a temperatura interna do apartamento passa dos 30oC, então o que a gente mais quer é se refrescar.

Mesmo assim, certamente há margem para economia. Eu estimo que deve ser possível economizar pelo menos 20% de energia com pouquíssimo esforço e um pouco de finesse. Eu inclusive já desenvolvi um timer inteligente para alguns aparelhos aqui sobre o qual postarei resultados em breve.

Mas do ponto de vista de aquecimento global, meu consumo de energia elétrica provavelmente pouco influi: 88% da eletricidade brasileria vem de hidrelétricas, que não produzem gases do efeito estufa.

Minhas emissões de CO2 provavelmente se limitam ao meu carro, um Peugeot 206 1.0 16V de 5 portas e 70 cv de potência. Eu já havia medido que ele faz cerca de 10 km/l na cidade e 14,5 km/l na estrada (com o ar-con ligado o tempo todo; ele faz bem mais sem o ar-con). À época em que eu o comprei, ouvi dizer que ele aderia a todos os padrões recentes de baixas emissões. Mas eu lembro de ter lido que o conversor catalítico só trata os hidrocarbonetos e o monóxido de carbono, mas não o dióxido de carbono. Nota para mim mesmo: estudar mais sobre isso.

Em todo caso, a própria apresentação do Gore tem um gráfico mostrando que a américa latina é responsável por cerca de 4% das emissões; a maior parte (31%) vem dos Estados Unidos. Portanto, qualquer economia que eu faça aqui tem bem menos impacto do que as feitas (e que precisam ser feitas) pelos americanos.

Outra coisa que eu quase chorei de rir foi quando o Al Gore usou como a analogia a célebre história de que um sapo sendo cozido lentamente não percebe que está morrendo -- uma alegoria que dá o título esdrúxulo a série de palestras do meu amigo Pedro Rezende.

Um outro ponto do filme serviu de demonstração da minha ignorância/alienação: um furacão atingiu o Brasil em 2004 e eu não sabia.

É uma pena que, por questões de direitos de cópia, eu não possa postar o filme aqui. Há um trailer no Google Video. Mas recomendo a todos que peguem o DVD na locadora, visitem o site do filme... e façam sua parte.

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